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Secagem de arroz em casca

autor: Redação RuralNews
data: 13/04/2016

Depois de ter passado pelas fases vegetatíva e reprodutiva, a lavoura de arroz encontra-se com cachos e os grãos bem formados, sendo monitorada pelo pessoal de campo que faz testes para conhecer o teor de umidade dos grãos, estando prestes a anunciar o ponto inicial da colheita. Ao acontecer isto, a fase de maturação acaba de se completar.

A cor dos cachos passa de verde claro para amarelo esverdeado, ou verde bem pálido. O teor de Umidade dos grãos atinge o valor de 30% B.U. (Base Úmida), e a partir daí as colhedeiras entram em cena. É iniciada uma nova safra.

 
Recepção

 
Unidade Armazenadora ao nosso entender é a estrutura de acondicionamento de grãos, com todos os equipamentos necessários as lides de recebimento, processamento, manipulação, estocagem, tratamentos fitossanitários, aeração, termometria, e expedição, tendo o controle absoluto da qualidade física, e intrínseca dos produtos agrícolas ali aportados.

A Unidade Armazenadora, já deve estar preparada para a recepção desta nova safra, com equipamentos ajustados, operando normalmente, o pessoal apto à recepção e manipulação destes novos grãos advindos da área de produção. O produto em questão é arroz em casca. Aqui é bom lembrar que a operação mais importante em uma Unidade Armazenadora é a recepção pois recebendo bem irá entregar o produto final com toda a fidelidade e garantia de qualidade.

O Laboratório Interno de Análise de Grãos, retira as amostras representativas de cada carga ( por veículo), enumerando e identificando-as, verificando inicialmente os Teores de Umidade ou Percentual de Umidade e Teor Impureza. Depois procede a secagem destas amostras no próprio laboratório, determinando através da Classificação o rendimento, a renda de cada carga, por campo de produção e agricultor. As cargas são encaminhadas para determinadas moegas, escolhidas para a recebe-las segundo o tipo de arroz identificado no Laboratório Interno de Análise de Grãos. Exemplificando: Moega 3 e 4 - Recebem arroz do Tipo 2,

Para melhor entender a secagem do arroz em casca é necessário ter conhecimento de que:

 
- A secagem em altas temperaturas promove a quebra maior de grãos, prejudicando a renda da massa secante de arroz (soma percentual de grãos inteiros e quebrados) que se encontra no secador. Trabalhar com baixas temperaturas durante as secagem, evita os grãos de arroz sofram o "craking" ou seja o trincamento destes grãos.

 
- O arroz em casca, com teores de umidade elevados advindo da(s) área(s) de produção não deverá ser maturado forçosamente no secador, o que acontece na maioria das regiões brasileiras. Assim procedendo, ocorrerá alteração na coloração dos grãos, profunda modificação da estrutura amilácea, morte do grão, e o mais prejudicial, a perda de valor comercial, ou seja deságio deste arroz.

 
- O tempo de secagem desta forma é muito maior, comprometendo a qualidade de outras cargas aportadas na Unidade Armazenadora, pelo simples fato da deterioração.

 
- Outro fator a ser considerado é o custo elevado para secar arroz de tal maneira.

Ora, Unidades Armazenadoras devem estar preparadas e equipadas com Células ou Silos Pulmão, que são células dotadas de sistema de seca-aeração com taxa de fluxo de ar de 0,5 a 1,0 m³ de ar/min.ton de grãos.

É do conhecimento de todos que a seca-aeração em uso durante a safra, nos Silos Pulmão, promove o seguinte:

 
- estabelece condições que facultam o resfriamento de pontos aquecidos da massa de grãos, uniformizando a temperatura desta massa; - preservar a qualidade, removendo odores provenientes de atividade biológica de microrganismos;

 
- evitar a formação de focos de fermentação e atividade de insetos;

 
- promover a secagem dentro de certos limites;

 
- mantém a massa de grãos, em condições de espera, sem comprometer sua qualidade, para uma secagem mais segura;

Também é do conhecimentos de todos que trabalham com Armazenamento de Grãos, que arroz em casca, em condição de elevado teor de umidade pode suportar até quatro dias (96 horas) sob condição de seca aeração, sem iniciar o processo de deterioração, isto a uma temperatura média dos grãos de 30º C.

Com base no conhecimento dos Critérios de Deterioração de Grãos, o arroz em casca, com teor de umidade inicial na faixa de 30 % B.U. poderá sofrer uma secagem rápida, em secador com temperatura máxima de 45 a 50º C, reduzindo seu teor de umidade, para que esta massa possa aguardar mais tempo sem deteriorar, até completar a secagem de toda esta massa.

A massa de grão de arroz em casca deverá ser destinada após esta primeira secagem, para células, ou silos de estocagem equipados com aeração, com fluxo de ar de 0,3 a 0,6 m³ de ar/min.ton de grãos que permite mais longevidade que o inicialmente citado, até retornar novamente para completar a secagem.

O sistema de multipassagem de cargas pelo secador deve ser adotado, recomendando a temperização, isto é períodos de repouso após a passagem pelo secador de maneira a permitir a migração de umidade do interior para a superfície do grão sendo lançada esta umidade na atmosfera pela prática da aeração. Assim posto:

 
- o tempo efetivo de secagem é reduzido, aumentando o número de passagens;

 
- o consumo de combustível diminui quando o período de descanso aumenta;

 
- a capacidade do secador aumenta com o aumento do fluxo de ar; - o
rendimento de grãos inteiros aumenta com o aumento do número de passagens pelo secador.

Baseado neste princípio podemos operar a secagem de arroz em casca da seguinte maneira:

 
Secagem do arroz em casca

 
Recebimento

 
Nesta fase inicial as massas de arroz em casacas são formadas por cargas que possuem:

Teor de Umidade (inicial)................30 a 28 % B.U.
Teor de Impurezas (Inicial)............. 6 a 12 %

Os passos de manipulação são os seguintes: Recebimento nas moegas, transporte para as maquinas de pré-limpeza, transporte para os silos pulmão. Uma simples movimentação na massa de grãos, já notamos uma pequena diminuição do teor de umidade nesta fase.

Ao final podemos observar o seguinte resultado:

Teor de Umidade (inicial)................28 a 26 % B.U.
Teor de Impurezas (Inicial)............. 1,5 %

 
1ª PASSAGEM NO SECADOR

 
Após permanecer em espera nos silos ou células pulmão, a massa de grãos terá inicialmente as condições de :

Teor de Umidade................28 a 26 % B.U.
Teor de Impurezas............. 1,5 %

Seu roteiro será, sair destas células pulmão, transportada para o(s) secador(es), entrar em circuito de secagem, depois será dirigida para uma célula de estocagem (Célula 1) equipada com aeração e termometria, ficando ali temporariamente cerca de 15 dias, com os seguintes valores:

Teor de Umidade................20 a 18 % B.U.
Teor de Impurezas............. 1,5 %

Nesta fase é bom lembrar que é muito fácil, dependendo de pouco tempo para se extrair da massa de grãos de arroz em casca a umidade, reduzindo o teor de 28 a 26% B.U. para 20 a 18% B.U. Ainda lembramos que a temperatura máxima do secador deverá ser de 45 a 50ºC. não devendo ultrapassar este valor em hipótese alguma para não comprometer a qualidade da renda do arroz.

 
2ª Passagem no secador

 
Ao termino do período de 15 dias, estocada no Célula 1, deverá retornar novamente ao processo de secagem mecânica, tendo considerado a condição de uma redução média do teor de umidade, pelo fato da aeração, configurando os seguintes valores:

Teor de Umidade................20 a 18 % B.U.
Teor de Impurezas............. 1,5 %

O caminho da massa de grãos nesta etapa, será a saída do Célula 1, entrando no circuito de secagem no secador, há mesma temperatura de 45 a 50ºC, sendo depositada em uma nova célula de estocagem (Célula 2) com sistema de aeração e termometria, apresentando:

Teor de Umidade................16 a 15 % B.U.
Teor de Impurezas............. 1,3 %

Nesta etapa ocorre uma redução do teor de umidade associada também a redução do teor de impurezas proveniente da saída de material polvirulento ( sílica) ou grãos chochos.

Aqui inicia a aumentar o tempo de permanência da massa secante no equipamento pois se torna mais difícil baixar o teor de umidade de 20 a 18% B.U. para 16 a 15% B.U.

O tempo médio de estocagem nesta fase atingirá de 30 até 45 dias, sendo a temperatura média da massa de grãos 23ºC.

 
Secagem de acabamento

 
O término da secagem do arroz em casca sera pautado pela forma mais simples e rápida através de uma passada no secador, em secagem contínua, saindo esta massa de grãos da Célula 2. Os valores finais da umidade e impureza apresentar-se-ão:

Teor de Umidade................13 % B.U.
Teor de Impurezas............. 1,0 %

O lapso de tempo para esta passagem pelos secador é pequeno e aufere uma economia muito grande no combustível gasto na secagem, embora seja mais difícil reduzir de 16 a 15% B.U. para 13% B.U. Destinando então a massa de grãos agora considerada seca para uma célula de estocagem definitiva, equipada com aeração e termometria. Observar que em todas as etapas a presença da aeração se faz necessária, bem como o uso diário da termometria.

Chamamos atenção, para que em um silo ou armazém graneleiro possuam os equipamentos de aeração e termometria obrigatórios, em todas as células, e nos septos dos graneleiros, para que se possa praticar uma armazenagem com segurança.

 
Cuidados pós secagem

 
Sabemos que a colheita do arroz é desenvolvida no período de final de fevereiro / março se delongando até meados de abril. Depois destas lides quando a massa colhida estiver armazenada com a umidade de segurança 13% B.U., deve-se monitorar a temperatura desta massa de grãos e também a aeração, diariamente, evitando que aconteça o ressecamento natural pelas condições de higroscopicidade, perdendo esta massa mais água contida nos grãos.

Teores de Umidade no arroz em casca, na faixa de 11% B.U. ou abaixo, causam redução do percentual de inteiros, quando do beneficiamento deste arroz.

Nos meses de maio a setembro ocorrem baixos índices de umidade relativa do ar, facilitando a diminuição do Teor de Umidade destes grãos de arroz estocados. É necessário estar alerta e monitorar o sistema de aeração de forma a promover apenas a troca de ar no interior das células.
 

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