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Recuperação de pastagens na Amazônia - métodos biológicos

autor: Redação RuralNews
data: 01/09/2017

 
Na região Amazônica, as pastagens cultivadas tem como principal componente florístico as gramíneas forrageiras. No entanto, visando a obtenção de níveis satisfatórios de produção de forragem, evitando a sua degradação, torna-se necessário a utilização de alguma fonte de nitrogênio (química ou biológica), já que a baixa disponibilidade deste nutriente tem sido apontada como uma das principais causas da degradação de pastagens. A deficiência de nitrogênio ocorre pela diminuição dos teores de matéria orgânica do solo, devido ao manejo inadequado do sistema solo-planta-animal. Solos que se apresentam com aparência de compactados, geralmente, possuem baixos teores de matéria orgânica. Deste modo, se houver um suprimento adequado de nitrogênio para as pastagens, provavelmente, não ocorrerá a limitação de fósforo, em razão do acúmulo deste nutriente na fitomassa e de sua reciclagem.

A recuperação de pastagens através da aplicação de fertilizantes nitrogenados pode tornar-se inviável devido a seus altos custos. Deste modo, a introdução de leguminosas surge como a alternativa mais prática, eficiente e econômica para o fornecimento de nitrogênio ao sistema solo-planta-animal, além de aumentar a capacidade de suporte, melhorar o valor nutritivo da forragem e ampliar a estação de pastejo, refletindo positivamente na produção de carne e/ou leite.

O preparo do solo através da aração e gradagem constitui sempre o melhor processo para o estabelecimento de leguminosas em pastagens degradadas. O fator mais importante é o controle do vigor da vegetação. O controle de sua agressividade dará maior chance de sobrevivência às plântulas recém-estabelecidas, reduzindo a competição por água, luz e nutrientes. O superpastejo antes ou após a semeadura da leguminosa tem sido utilizado como alternativa eficaz para reduzir a agressividade da cobertura existente. Quando o pastejo é realizado após o plantio pode ajudar a enterrar as sementes através do pisoteio e movimentar o solo, criando microrelevos que auxiliarão no estabelecimento, principalmente pelo aumento da superfície de contacto entre a semente e o solo.
 
Em pastagens de capim-gordura (Melinis minutiflora), utilizando-se o superpastejo para reduzir a competição da vegetação, o plantio em sulcos foi o método mais eficiente para a introdução de Macroptilium atropurpureum cv. Siratro, Desmodium intortum e Centrosema pubescens. A aração foi o método mais eficiente para a introdução de Calopogonium mucunoides em pastagens degradadas de Brachiaria decumbens, a qual proporcionou a melhor relação gramínea-leguminosa. Um ótimo estabelecimento de Pueraria phaseoloides e Desmodium ovalifolium, respectivamente, em pastagens de B. decumbens, foi obtido com a utilização da aração + gradagem em toda a área. No entanto, o preparo do solo em faixas pode ser uma alternativa a ser utilizada, visando reduzir os custos da recuperação. Sugere-se faixas de 2,5 leguminosa como a melhor alternativa para a introdução de P. phaseoloides em pastagens degradadas de B. decumbens.
 

Em solos de baixa fertilidade natural, a utilização exclusiva de métodos físicos pode ser insuficiente para a recuperação da pastagem. Neste caso, torna-se indispensável assegurar um adequado suprimento, notadamente daqueles nutrientes limitantes à produção de forragem. Em Rondônia, pastagens de B. humidicola, recuperadas com a introdução de leguminosas (P. phaseoloides, Stylosanthes guianensis e C. pubescens) apresentaram maiores rendimentos de forragem com a aplicação de até 75 kg de P2O5/ha. O sucesso no estabelecimento de leguminosas em pastagens degradadas pode estar diretamente correlacionado com sua densidade de semeadura. A utilização de 20 sementes viáveis/m2 foi suficiente para o estabelecimento de M. atropurpureum cv. Siratro em pastagens de B. humidicola, sem qualquer interferência mecânica. Para pastagens degradadas de B. decumbens, independentemente da densidade de semeadura de S. guianensis cv. Mineirão (0,5; 1,0 e 2,0 kg/ha), a utilização da grade aradora + grade niveladora, seguida da passagem de rolo compactador foi o método que permitiu o melhor estabelecimento da leguminosa.

O desempenho animal, em pastagens recuperadas com a introdução de leguminosas, geralmente, está diretamente correlacionado com o estabelecimento e a sua participação na composição botânica da forragem em oferta. A introdução de M. atropurupureum e Neonotonia wightii, em pastagens de P. maximum, em vias de degradação, permitiu elevar a capacidade de suporte de 0,35 UA/ha para 0,81 e 1,1 UA/ha, respectivamente para o primeiro e segundo ano de utilização. Em pastagens de B. decumbens degradadas, a introdução de Centrosema macrocarpum CIAT-5713 + C. acutifolium CIAT-5568, resultou em ganhos de 830 kg/ha/ano e 607 g/animal/dia, comparativamente a 550 kg/ha/ano e 451 g/animal/dia obtido na pastagem não recuperada. No Pará, o estabelecimento de P. phaseoloides, C. pubescens e S. guianensis em pastagens degradadas de Panicum maximum proporcionou incrementos de 16 e 63%, respectivamente para os ganhos de peso vivo/animal/ano e hectare/ano.
 
Utilizando-se as mesmas leguminosas, em Rondônia, os acréscimos foram de 46 e 40% nos ganhos de peso vivo/ha/ano, respectivamente para pastagens degradadas de Hyparrhenia rufa e B. humidicola. No Acre, constatou-se a viabilidade da recuperação de pastagens de P. maximum através da introdução de leguminosas, associadas à fertilização fosfatada (50 kg de P2O5/ha), independentemente da carga animal utilizada, a qual resultou em incremento de 69% no ganho de peso/área (150 vs. 253 kg/ha/ano).

A recuperação de pastagens degradadas pode ser bioeconomicamente viável através da introdução de leguminosas forrageiras. Para tanto, torna-se imprescindível a adoção de práticas de manejo adequadas que assegurem um satisfatório estabelecimento, produtividade e persistência das espécies introduzidas (métodos de plantio, rebaixamento da vegetação com cultivo mecânico e/ou químico, densidade de semeadura, fertilização fosfatada etc.). Contudo, a utilização de germoplasma forrageiro com baixos requerimentos em nutrientes, concomitantemente com sistemas e pressões de pastejo compatíveis com a manutenção do equilíbrio do ecossistema, devem ser considerados como a chave para assegurar a produtividade das pastagens e dos rebanhos, por períodos de tempo relativamente longos, nas áreas sob floresta do trópico úmido brasileiro.

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